30 de janeiro de 2011

O vovô do Meia-Hora

Notícias Populares - NP
O jornal NP – Notícias Populares - ficou famoso por estampar manchetes como “Broxa Torra o Pênis na Tomada”, "Churrasco de Vagina no Rodízio do Sexo" na primeira página de seus exemplares. O periódico circulou na cidade de São Paulo entre outubro de 1963 e janeiro de 2001 e ficou conhecido pelos itens: sexo,  violência, textos curtos, uso de gírias e fotos grandes. Com seu slogan emblemático “Nada mais que a verdade”, o jornal tinha o Grupo Folha por trás de sua publicação.
Despreocupado com a suposta imparcialidade do jornalismo, o Notícias Populares ganhou muitos inimigos nos meios de comunicação. As acusações eram de que o veículo abusava da utilização de jargões populares e fotos medonhas, além de inventar algumas notícias. Apesar das represálias, algumas reportagens ficaram marcadas para sempre no imaginário dos paulistanos. Dentre elas, destacam-se:

Bebê Diabo

Os jornalistas do NP, ao saberem que um bebê tinha nascido com deformações, começaram a inventar diversas notícias alardeando o nascimento de um bebê diabo.

Desaparecimento de Roberto Carlos

Em 1968, o NP noticiou que o cantor Roberto Carlos havia desaparecido. Ao receber a informação de que um repórter da Rede Record não conseguia contatar o cantor de maneira alguma, o Notícias Populares estampou em suas primeiras páginas “Desapareceu Roberto Carlos”. O cantor estava apenas em Nova York, mas, com a simpática anedota o jornal vendeu 20 mil exemplares a mais do que o normal. No dia seguinte, o NP estampou em letras garrafais: “Acharam Roberto Carlos”, e assim faturou mais ainda com o sumiço do Rei.

Pelezão

Após ter sido violentado por uma “psicóloga tarada de Perdizes”, o Pelézão acabou virando ídolo das dondocas de São Paulo. Na madrugada do dia 28 de agosto de 1984, uma requintada senhora de Perdizes, após brigar com o marido, resolveu se vingar com o primeiro indigente que encontrou na rua, daí a história do Pelézão, que fez o trabalho direitinho. Essa manchete rendeu tantas vendas quanto as do Bebê Diabo.

Outra característica no Notícias Populares eram as colunas. O jornal foi um dos primeiros a falar abertamente sobre sexo. A coluna Tudo Sobre Sexo, escrita por Roseli Sayão, explorava temas e dúvidas bastante polêmicos sobre sexualidade.    Outras colunas era a de Voltaire de Souza, sobre contos que sempre envolviam mortes, sexo e outros fatos polêmicos. Havia também outra dedicada ao público GLS, Espaço Gay e a Histórias da Boca, que eram contos no estilo de Nelson Rodrigues escritos por diversos jornalistas do Notícias Populares.

Em 2001 o jornal parou de circular. Um dos motivos alegados por seus idealizadores foi que sua fórmula acabou sendo copiada para a tevê em programas como o “Aqui Agora”, reduzindo o interesse do público. O jornal que tinha uma circulação de 110 mil exemplares nos anos noventa estava vendendo apenas 20 mil exemplares em 2001. Assim, o Grupo Folha concentrou seus esforços de fazer um jornal popular no Agora São Paulo, considerado um substituto light do NP – Jornal Notícias Populares (Nada Mais que a Verdade).
Fontes:

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