e atira para todos os lados...

Lembro que abri uma Rolling Stone outro dia, a
resenha do disco da menina dizia que agora ela citava trechos de grandes obras literárias em suas músicas... UAU! Pitty literata! Mas peraí, se ela fizesse o disco todo usando palavras destes escritores as letras seriam ótimas, porém, misturar isso com suas frases de auto-ajuda, clichês e figuras de linguagem viscerais-gótico-pop só pode acabar em uma coisa: aliás, não tem nada pra designar isso. Merda seria um grande elogio. Lixo? Não, bonito demais. Caralho Pitty, você consegue deixar a gente na mão, nem xingar seu novo disco como eu queria é possível.
Começando do começo:
A primeira bala no vácuo já começa pelo nome do disco:
"Chiaroscuro" é uma palavra italiana que significa "luz e sombra" ou "claro-escuro". Isso é bem típico da Pitty, utilizando uma palavra meio desconhecida, confere tons misteriosos, inteligentes, filosóficos à sua "obra". Mas se a palavra tem tal definição, deveria ser a última escolhida pela moça, pois neste novo álbum ela vai do preto cemitério ao rosa choque mais saltitante do mundo.
Faixas:
"8 ou 80" - A música tem um intrumental que remete às bandas dos anos 90 como Alice in Chains, o guitarrista deve ser fã do Jerry Cantrell, pois as
linhas de guitarra são parecidas. Pô, você ouve a bateria do comecinho e fala: "até que é legalzinho", mas aí entra aquela voz cantando "Eu só quero o começo / não podia lidar com o meio / quero muito, tenho apego / já não quero, só resta desprezo". Não dá. De bom apenas o nome, Pitty não consegue ser tão péssima para a nota "8" e nem tão boa para o "80", faz apenas essa coisa murcha e pretensiosa, ficando mais ou menos pelo 31,7.
"Me Adora" - Dos anos 90 ela pula para 2001. Não tem como negar, ela copia descaradamente os Strokes. Só que a nossa Julia Casablancas vem com um refrãozinho de dar vergonha:
"Que você me adora / Que me acha foda", já deu né?
"Medo" - Agora ela volta aos anos 80 tentando soar como seus "camaradas" do Faith No More, porém acaba caindo naquele estilo criado por Limp Bizkit e Linkin Park. Bom, no finalzinho ela começa a urrar
"se correr o bicho pega, se ficar o bicho come" em cima de guitarras bem distorcidas, não consegui prestar tanta atenção à frase, mas é por aí, você sabe...
"Água Contida" - Essa é Pitty no melhor (pior) estilo musical Pitty mesmo, porém depois de um atropelamento e com gripe suína, como ela mesmo descreve na letra:
"Eu, chorando / Com essa cara toda amassada / Com esse olho em carne viva, retalhada / E esse nariz que não pára de escorrer".
"Só Agora" - Baladinha com efeitinhos de guitarra de fundo e gemeção vocal.
"Fracasso" - Realmente.
"Desconstruindo Amélia" - Pobre Amélia, que era mulher de verdade, virou uma salada sonora à la Queens of the Stone Age. Ponto alto:
"Hoje aos 30 é melhor que aos 18 / Nem Balzac poderia prever / Depois do lar, do trabalho e dos filhos / Ainda vai pra nigth ferver".
"Trapézio" - Pitty roots + analogias circenses.
"Rato na Roda" - Cópia de Strokes parte II.
"A Sombra" - Embrulha o estômago.
"Todos Estão Mudos" - Quem dera Pitty, quem dera...
O portal Terra tem outra versão para o mesmo disco, confira
aqui.