5 de fevereiro de 2013

Carta de pensamento

Você me mandou uma carta, não uma tradicional, mas uma carta de pensamento e sonho. A textura era plástica, fundo amarelado e letras pretas, fonte sem arestas. Parecia fazer parte de um fichário rosado, algo de uma menina entre a adolescência e o tradicional adultismo precoce que só as meninas têm. Você era uma delas. A carta-sonho me veio como uma espécie de resposta sua aos meus pensamentos, dúvidas e a imensa vontade louca de acampar em frente à sua casa, devorada pelos seus nãos e por suas fugas. Da mesma forma que, às vezes, durante o início do sono, consigo te encontrar e encostar meu nariz no seu, quando meus olhos fechados enxergam a luz branca, um brilho que a tudo engloba, essa carta veio a mim por sermos irmãos de morte e de vida, por sermos peças únicas no espaço, entrelaçados ao redor do mundo. Você queria me informar, apenas me informar para que eu parasse de encher seu saco. Fez efeito.

Você sabe coisas sobre mim, como? Hum. Internet. Ok. Você sempre foi uma boa investigadora. Assim, como eu precisava saber de notícias suas, você me mandou. Na carta-pensamento, havia alguns desenhos de árvores. Você me disse que está namorando e está bem, e que seu namorado comprou um quintal (que eu entendo como terreno) e que vocês dois estão batalhando para construir uma casa ali juntos. Você criticou meus textos, me disse para que eu tomasse cuidado com a utilização dos algarismos romanos. Imagino você lendo algo que escrevi e me chamando de burro. Estou tentando lembrar de mais detalhes, mas eles não me vêm à mente, sendo que estavam tão claros há um mês, quando eu nem pensava em escrever esse texto.

18 de novembro de 2012

Tirinhas marotas da Jamanta!


Conheça a Auditoria da Qualidade

Auditoria da Qualidade é o exame sistemático e independente, para determinar se as atividades da Qualidade e seus resultados estão de acordo com as disposições planejadas, se estas foram efetivamente implementadas e se são adequadas à consecução dos objetivos. Neste sentido, o objetivo deste estudo foi identificar as interfaces entre auditoria da qualidade e cuidado de enfermagem nos documentos instituídos pelos órgãos de saúde e analisar a qualidade do cuidado de enfermagem à luz dos Programas de Auditoria instituídos pelo Ministério da Saúde. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica para busca de produções cientificas de enfermagem no período de 1997 a 2006. Os resultados mostraram que dos quatro documentos do Ministério da Saúde utilizados, apenas um destaca o serviço de enfermagem, e de forma explícita quanto à qualidade do cuidado de enfermagem. Verificou-se então, a necessidade de implementação de estratégias que contribuam para fortalecer a participação e o comprometimento dos profissionais de enfermagem nos processos de melhorias contínuas da qualidade do cuidado no ambiente hospitalar. Finalizando, consideramos que a prática de auditoria em qualidade no SUS, desde sua implantação, tem encontrado dificuldades para estabelecer critérios únicos, restando questionamentos e dúvidas próprios de um sistema complexo e em formação, que vem se desenvolvendo e apresentando mudanças freqüentes.

4 de novembro de 2012

Nosferatu ao vivo no Parque do Ibirapuera




A 36ª Mostra de Cinema Internacional de São Paulo foi encerrada com classe. Para o último dia, foi organizado um evento a céu aberto no Parque do Ibirapuera. Com trilha sonora tocada ao vivo pela Orquestra Petrobrás, foi exibido o filme Nosferatu, do diretor Friedrich Wilhelm Murnau. O longa é de 1922, mas a película utilizada na Mostra foi uma cópia restaurada com correções de imagem. Para a apresentação, a orquestra tocou no palco do Auditório e o filme foi projetado na parede, logo acima dos músicos. A plateia, que juntou grande público, reuniu-se no gramado em frente espaço.

Do início ao final do filme, a orquestra tocou em total sincronia com as imagens, estabelecendo um clima de suspense no local. A trilha sonora, composta na época do filme por Hans Erdmann, foi conduzida pelo maestro Pierre Oser. “Podemos dizer que o cinema mudo nunca foi de fato mudo, era sempre apresentado com uma música. A diferença fundamental da música no cinema mudo tem uma função dramatúrgica, com origem no teatro, na ópera”, afirmou o regente em reportagem ao site oficial da Mostra. “Em 1929, havia em Berlim, nas maiores salas de cinema, mais de 50 músicos para o acompanhamento dos filmes”, completou.



Não haveria melhor clima para apresentação do filme. No início da noite de dois de novembro de 2012, um clima frio se instalou na cidade e a chuva ameaçava cair, contrastando com os dias quentes do início daquela semana. O vento gelado passeava pela multidão sentada na grama, que bebia, fumava cigarros e usava drogas leves. Os mais precavidos levaram mantas ou panos para sentar, viam-se grupos de amigos, casais abraçados, garrafas de vinho, fios de fumaça, risadas e rostos surpresos a cada cena.

No meio do filme, alguns seres voadores passaram por cima do público fazendo um barulho estranho. Junto ao clima sombrio e à música soturna, os animais lembravam morcegos celebrando o rei Nosferatu, que reinava sobre seus súditos nas alturas em que sua imagem era projetada. Na primeira aparição dos bichos, a multidão ameaçou uma salva de palmas. Depois, os vultos continuaram passeando pelos céus, mas deram alguns rasantes no público, deixando algumas pessoas com medo de ter seus pescoços sugados como o Hutter, agente imobiliário perseguido pelo Conde Orlok no filme.

Porém, como em todo evento público, existem as velhas conversinhas paralelas, pessoas levantando o tempo todo e assoviando. Antes do final do filme, ao menos umas 50 pessoas já tinham ido embora. Mas a maioria manteve-se firme, mesmo trocando a posição do corpo várias vezes na grama. Ao fim da apresentação, os mais de 20 mil presentes aplaudiram em pé a Orquestra Petrobrás e a obra de Murnau.


1 de novembro de 2012

Best Coast


Best Coast é uma banda americana de surf-pop radicada em Los Angeles. O grupo surgiu em 2009 com Bethany Cosentino nos vocais e guitarra e o multi-instrumentista Bobb Bruno em várias funções. A banda teve diversos bateristas em suas apresentações ao vivo. Ali Koehler, da banda Vivian Girls, foi quem assumiu as baquetas mais vezes com a dupla. O Best Coast pode ser enquadrado nos gêneros lo-fi, surf pop e garage rock.

O Best Coast assinou com os selos Mexican Summer (EUA) e Wichita Records (Europa), que lançaram o álbum Crazy for You no mês  de julho de 2010. Antes disso, o grupo já tinha lançado alguns singles por selos independentes, a música Make You Mine pelo Group Tightener e a música Something in the Way pelo Post Present Medium. Porém, a banda optou por não incluir este material no seu disco de estreia.

Em abril de 2010, a banda gravou um clipe para o single “When I'm with You”, no qual Bethany Cosentino contracena com o palhaço do Mac Donald’s, Ronald. Os dois passeiam por praias da Califórnia, dormem abraçados na areia e trocam carícias enquanto a vocalista canta algo como “quando estou com você, eu me divirto”. Nada mais comum do que se divertir com um palhaço.

Em junho de 2011, a banda lança a música “Gone Again” como segundo single no Kia Singles Program, do Adult Swim. No mês seguinte, gravam o clipe para a música “Our Deal”, que foi dirigido por Drew Barrymore. Em outubro, o single “When I'm With You” fez parte da série de games Rocksmith.

Em 2012, o Best Coast foi anunciado para tocar no festival Big Day Out. Neste ano, eles também tocaram no Metallica's first Orion Music e no More Festival. Porém, em 2012, com o lançamento do segundo álbum, “The Only Place”, ficou evidente uma mudança na sonoridade, desta vez mais limpa e mais longe das músicas vintage do primeiro disco. Em uma entrevista, os músicos afirmaram que isso ocorreu devido ao “estilo de composição, que se tornou diferente”, além de estarem gravando “em um estúdio mais profissional”.

Em 2013, serão a banda de abertura da turnê do Green Day.

Mamã, Conto de Florbela Espanca



Noite negra e tempestuosa! No céu não luzia uma estrela, o vento soprava com violência, e flocos de neve envolviam, como em alva mortalha, a aldeia adormecida. Só ao longe milhares de luzes ardiam no soberbo castelo. Perfumes, flores, sedas, rendas e cá fora, numa humilde choupana à beira da estrada, fome, miséria e lamentos. Vivia ali uma pobre camponesa com dois filhinhos. Magros, doentes, pediam esmola pelos casais. Agora choravam. Tinham fome e não tinham pão, os míseros pequeninos.

No único aposento via-se apenas uma enxerga onde, com a cabeça entre as mãos, a pobre mãe pensava, talvez, no futuro bem negro dos filhinhos.

A contrastar, porém, singularmente com a miséria do casebre, via-se um berço elegante e lindo. Envolviam-no rendas e arminhos. Dentro um pequeno gentil dormia, com a linda cabecita emoldurada nos anéis doirados do seu cabelo loiro. Nos lábios pairava-lhe um sorriso meigo de anjo dormente.

Abre-se a porta de repente. Uma mulher divinalmente formosa, envolta em ondas de rendas e sedas, arrastando altiva a longa cauda, entra na choupana.

A camponesa ergue-se admirada, enquanto a fidalga adulada, invejada, que tinha a seus pés um mundo de adoradores, não receando amarrotar as rendas caras do seu opulento vestido de baile, ajoelhou humilde ante o bercito do filho do crime, que tinha de beijar furtivamente; inclinou a cabeça, e duas lágrimas brilhantes como gotas de orvalho se desprenderam dos olhos, resvalando-lhe pelas faces, que foram cair nas do pequenito que, a sorrir no seu sorriso de anjo, balbuciou mimoso:

– Mamã!

Yuck



Yuck é uma banda de Londres que apresenta influências de grupos dos anos 90 em sua sonoridade. O Yuck é formado por Max Bloom e Daniel Blumberg, ambos tocavam no Cajun Dance Party.

O primeiro álbum da banda, Yuck, foi lançado pelo selo Fat Possum (fatpossum.com) no dia 21de fevereiro de 2011 no Reino Unido. Na época, os críticos musicais ligaram o Yuck a bandas como Dinosaur Jr, Pavement, My Bloody Valentine e Sonic Youth.

Em 2011, a banda se apresentou em São Paulo/SP em um show fechado. Segundo reportagem publicada no site da Folha de São Paulo, a apresentação da banda foi extremamente fiel ao disco de estreia e eles tocaram sons como “Get Away”, “The Wall”, “Georgia” e “Holing Out”.

De acordo com Juliana Zambelo, que assina a matéria, “no palco, a baixista Mariko Doi chama atenção por sua expressão carrancuda e a franja que esconde quase metade de seu rosto e o baterista Jonny Rogoff parece se divertir com seu enorme cabelo black power. Mas são as guitarras distorcidas de Daniel Blumberg e Max Bloom que se destacam na apresentação, honrando a tradição das bandas de indie rock dos anos 90 que os influencia”.

O Yuck é: Daniel Blumberg – vocais, guitarra / Max Bloom – guitarra, vocais / Mariko Doi – baixo / Jonny Rogoff – bateria

Fontes:
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/933526-com-guitarras-altas-e-vocal-baixo-yuck-faz-bom-show-curto-em-sp.shtml
http://en.wikipedia.org/wiki/Yuck_(band)
http://www.fatpossum.com/

19 de outubro de 2012

Você sabe o que é pantomima?



Entenda um pouco mais sobre esta famosa manifestação artística que tinha o respaldo do público e dos grandes imperadores na época da Roma Antiga. A arte, embora apreciada, resultou na perseguição de seus atores e atrizes, causando a morte de muitos deles. No artigo abaixo, de autoria de Antonio Rodrigues, é relatado todo panorama da época.

Link para o texto original: http://www.artigos.com/artigos/humanas/filosofia/pantomima-7041/artigo/


A língua portuguesa é rica em todos os detalhes. Como também uma das mais difíceis, visto que por se tratar de um país continental as diferentes regiões brasileiras possuem o seu vernacular. É notório que a cultura brasileira segue a mesma dinâmica da língua, hoje é tão comum vermos pequenos dicionários com as palavras mais usadas na região. São palavras usadas no dia a dia, mas não podem ser inseridas na escrita da língua portuguesa, senão mataremos a mesma. No dicionário Cearês, temos uma infinidade delas. Por curiosidade nas nossas pesquisas deparamo-nos com a palavra pantomima, que nos chamou a atenção. De bom alvitre achamos de bom proveito dissecá-la. Pantomima é um teatro gestual que faz o menor uso possível de palavras e maior uso de gestos.

É a arte de narrar com o corpo. É uma modalidade cênica que se diferencia da expressão corporal e da dança, basicamente é a arte objetiva da mímica, é um excelente artifício para comediantes, cômicos, shows, atores, bailarinos, enfim, os intérpretes. Nesta modalidade, os pantomímicos precisam buscar a forma perfeita, a estética da linha do corpo, pois através do gesto tudo será dito, uma boa pantomima está na habilidade adquirida pelo pantomímico em se transfigurar no ato da interpretação, passando para a platéia a mensagem de Jesus Cristo.


É uma das artes que exige o máximo do artista para que este receba o máximo de retorno do público, ou seja, a atenção da platéia para que a Palavra seja passada devidamente. Os grandes atores e atrizes trabalham com a pantomima, mas não é uma técnica fácil. E por não ser mímica a arte da pantomima exige certo conhecimento dos profissionais.

Ela está presente na música, na escultura, na pintura, balé e na linguagem do surdo-mudo, também na dublagem, nas emoções, na dança, no amor, na tristeza, no ódio e também na alegria. A mímica tem uma conotação em sua formação literária, pois é um substantivo que vem do adjetivo mímico ou vice-versa. A arte de fazer acompanhar de gestos precisos e adequados a idéia ou sentimento que se exprime; gesticulações, línguas de sinais utilizada na Europa em especial na Espanha leva o nome de pantomima. Dizem alguns estudiosos sobre o assunto que mímica e movimento, por isso não pode ser pantomima, mas há que diga que mímica é se deslocar ao Golfo Pérsico, ao Oriente Médio, e sair com vida, ou sem mímica. Já a pantomima é ter noção do por que e quais as verdadeiras nuanças, motivos, que levaram os soldados ao Oriente Médio, e também toda aquela parafernália que acontece por lá.


Pantomima é a arte da mímica, do movimento corporal que conta, objetivamente os porquês de uma história, e por mais que seja difícil e trabalhoso introduzir a pantomima em um grupo de dramaturgos, Jesus nos capacita, Ele sabe o quanto a pantomima costuma impressionar e chamar a atenção da platéia, muitas vezes esta técnica é mais utilizada do que a dramaturgia, por ser de fácil assimilação, por chamar a atenção, por ser praticamente universal.

Pantomima é a síntese dos pensamentos e dos sentimentos. Por isso, é que também no Brasil, a pantomima, como todas as Grandes Artes, é pouco conhecida. Mas isso é outro assunto. “Chama-se analfabetismo.” Estar com a mente ligada, atenta e concentrada na Palavra que se almeja passar ao público é de extrema importância a fim de transformar a palavra em pantomima utilizando a imaginação. Como a pantomima é extremamente dependente do espaço onde será ministrada, não é porque temos uma pronta que não há nada a ser acrescentado e modificado, sempre há o processo de adaptação ao elenco, ao espaço e ao objetivo, portanto, a imaginação do diretor é fundamental nesta modalidade. Jesus o grande Mestre fazia isso com muita destreza e facilidade. Um dos estudiosos na pantomima é Ricardo Bandeira.

Ele é um verdadeiro artista, clínico geral em diretoria de arte, diretor de atores e atrizes, figurinista, produtor roteirista entre outros. Nas entrelinhas pairou uma dúvida se a pantomima é mímica ou não, mas segundo aqueles que lidam com a arte dizem que sim, pois mímica também é movimento. Se observarem a linguagem dos surdos-mudos existe até um movimento exagerado das mãos. É um assunto muito bom, mas um pouco polêmico.

Como sempre afirmo em minhas conotações o site Wikipédia é um dos melhores do mundo e lá vocês poderão encontrar todas as nuanças sobre a pantomima, desde a sua origem, finalidade, importância, e quais os povos que mais usam e que tipos de profissionais fazem uso dessa cultura. Será que o cinema mudo faz parte da pantomima? Em Chaplin, Buster Keaton e Jaques Tati, encontramos a pantomima cinematográfica com sua gramática e técnica próprias da época. Na dança, temos também o balé-pantomima, que procura contar objetivamente uma história. Pantomima não são códigos nem idiomas que necessitamos aprender, mas apesar do cinema ser mudo existe o movimento contrariando o pensamento daqueles que defendem que a pantomima não é movimento. Deixando no ar uma indagação perguntamos aos leitores o que acham da pantomima? Existe a linha ferrenha que defende determinados atributos para qualificarmos a pantomima, tampouco é, através de gestos, expressões corporal e facial, tradução, imitação de palavras ou frases. A pantomima não imita nada. Cria.

A pantomima não tem sinonímia, portanto não pode ser sofista. Também não tem o direito, como certas palavras, livros e artes, de ser ambígua, incompreensível, subjetiva, complicada. A pantomima tem por lei a objetividade, sem ser didática e chata. Então a pantomima é quadrada? Não. Nem redonda ou retangular. É espiral e infinitamente dialética. Faz o espectador lembrar que tem cérebro. Que raciocina mesmo quando ri. Até quando sonha. Também quando chora. Com certeza não detalhes ou definições que variam de estudiosos para estudiosos e se prestarmos bem a atenção uma discussão natural acerca do significado da palavra campeia as linhas desta matéria. Se você tiveram uma definição mais plausível aceitamos de coração. Fiquem com Deus.

13 de outubro de 2012

Análise do conto Meninão do Caixote - João Antônio

Um tempo atrás postei no blog o conto Meninão do Caixote, do João Antônio, na íntegra. Nesse post vai uma análise do texto, encontrada no site infoescola.com

Análise sobre o conto Meninão do Caixote – João Antônio


O conto do escritor paulistano João Antônio, Meninão do Caixote, publicado no livro de contos Malagueta, Perus e Bacanaço, de 1963, apresenta a história de um menino que descobre ser um talento da sinuca. O garoto é fã de seu pai, que dirige um caminhão e o leva para o bairro da Vila Mariana, onde se diverte em uma lagoa. Por outro lado, o relacionamento do menino com a mãe é diferente. Ela vive repreendendo-o, dizendo o que fazer e lhe castigando.
O garoto descobre o talento da sinuca quando, a pedido de sua mãe, vai fazer compras no Bar Paulistinha. Com o início de uma chuva, ele é obrigado a ficar no estabelecimento, onde alguns homens estão jogando sinuca, entre eles Vitorino, que fica amigo do jovem. O menino, mais baixo pela idade, pega um caixote e coloca na beira da mesa, sobe nele para assistir o jogo. Então tem a oportunidade de jogar, vai aprendendo, jogando, e, aos poucos, se torna um taco, como eram chamados os bons jogadores.

No seguinte trecho, João Antônio descreve como foi a descoberta do garoto: “Joguei, joguei muito, levado pela mão de Vitorino, joguei demais. Porque Vitorino era um bárbaro, o maior taco da Lapa e uma das maiores bossas de São Paulo. Quando nos topamos Vitorino era um taco. Um cobra. E para mim, menino que jogava sem medo, porque era um menino e não tinha medo, o que tinha era muito jeito, Vitorino ensinava tudo, não escondia nada”.

Porém, a vida do novo jogador de sinuca entra em confronto com suas obrigações escolares e as preocupações de sua mãe. Ele começa a cabular aulas, tem discussões com a mãe e foge pela janela de casa para jogar. Agora a jogatina vale dinheiro, Vitorino torna-se uma espécie de agenciador do garoto, arrumando adversários, fazendo grana e passando sua fama no boca a boca dos botecos suburbanos.

O menino tentava largar o “joguinho”, como é descrito no trecho: “Larguei uma, larguei duas, larguei muitas vezes o joguinho. Entrava nos eixos. No colégio melhorava, tornava-me outro, me ajustava ao meu nome”.

Porém, Vitorino, sedento por mais dinheiro e por ver o menino jogar, voltava para convencer o garoto a retornar ao salão. “Vitorino arrumava um jogo bom, me vinha buscar. Eu desguiando, desguiando, resistia. Ele dando em cima. Se papai estava fora, eu acabava na mesa. Tornava à mesa com fome das bolas, e era: uma piranha, um relógio, um bárbaro. Jogando como sabia”.

Porém, a preocupação da mãe com o menino é representada em seu ápice quando, em uma das sessões de jogatina do bar, ela aparece com a marmita para o filho. O garoto vê aquela cena, a mãe saindo de cortinhas verdes com sua comida em mãos, não aguenta e começa a chorar. É acudido pelos seus companheiros de sinuca, “Que é? Que é isso? ô Meninão!”. Então promete a si mesmo que vai abandonar o jogo novamente. De forma lírica, João Antônio encerra o conto: “Larguei as coisas e fui saindo. Passei a cortina, num passo arrastado. Depois a rua. Mamãe ia lá em cima. Ninguém precisava dizer que aquilo era um domingo… Havia namoros, havia vozes e havia brinquedos na rua, mas eu não olhava. Apertei meu passo, apertei, apertando, chispei. Ia quase chegando. Nossas mãos se acharam. Nós nos olhamos, não dissemos nada. E fomos subindo a rua”.



11 de outubro de 2012

Galaxy S3 apresenta grave falha de segurança




Um dos sistemas que equipam o Galaxy S3, chamado TouchWiz, apresentou um bug em sua interface. Este problema pode fazer com que os dados de equipamentos da marca Samsung sejam deletados. O bug foi detectado por um pesquisador da Universidade Técnica da cidade de Berlin, Ravi Borgaonkar, que expôs a falha do Galaxy S3 em uma feira de segurança digital.

Ao acessar um link que se encontrava exposto no Twitter, o pesquisador perdeu todas as informações que estavam anteriormente no equipamento. Quando direcionado para o link que contém o contém, o código pode ser acessado por SMS, NFC, pelo navegador até mesmo por QR code.

Este bug, além de desaparecer com todos os dados do smartphone, pode causar bloqueio do cartão SIM. Caso o utilizador não saiba a senha para acessar o chip, há risco de o cartão tornar-se inutilizável. De acordo com informações do portal especializado SlashGear, o código somente pode ser usado por aparelhos com interface Galaxy S3, Galaxy S2, Galaxy S Advance, Galaxy Ace e Galaxy Beam. Equipamentos da marca Samsung que não possuem o TouchWiz não correm o risco de perder os dados causados pelo bug. A empresa ainda não fez um pronunciamento oficial sobre o problema.

Atualizando em tempo: a marca já resolveu esta falha.